


Ontem fui dormir depois de receber a notícia que Mario Cravo Neto havia nos deixado. Ele que já vinha lutando contra um câncer morreu na tarde de domingo.
É sintomático pensar na sua morte em pleno dia dos pais. Sim, por que Mario é um dos pais da fotografia baiana, um dos grandes responsáveis pelo fortalecimento de uma cultura fotográfica na cidade e mais que isso, ele é um dos fundadores de uma forma de olhar a Bahia e o seu povo.
As cores de Mario Cravo são fortes e retratam uma Bahia estigmatizada, uma Bahia da alegria e da pobreza, do homem e da mulher negros vistos como objeto sexual, escancarados em roupas minúsculas nas festas de largos. É uma Salvador colorida, pulsante, comandada pelas forças do candomblé. A terra dos rituais, do axé, da poluição sonora e visual.
O seu olhar é uma mistura de pacto cultural e crítica social. É o olhar de quem vive dentro das manifestações culturais africanas e valoriza a importância desta cultura na constituição simbólica do nosso estado. Mas, há também espaço para a denúncia nos retratos em cores que nos falam da miséria do pelourinho quando, em 1980 começou a fotografar com o amigo Miguel RioBranco.
Mario Cravo é depois de Pierre Verger o nome mais reconhecido da fotografia produzida na Bahia.
Um mestre para os amantes da fotografia que, como eu, foram impactados pelas suas imagens no livro Laroyé ou até mesmo com os retratos em preto e branco, feitos em estúdio e que revelam uma faceta intimista do seu autor.
1 comentários:
Eita, que essa menina escreve bem pra danar!
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