segunda-feira, 15 de novembro de 2010

Escamas. Desfazem-se. Escorregam pelo corpo. Sujam a casa. A pele em carne viva. Grita. Adapta-se às novas experiências. Luta. Reluta em nascer de novo. Nova. Rosa. Brilha. A pele doe quando tocada. Tudo te toca. Todos a tocam. É tempo de sobreexposição. Brota da pele finas camadas. Claras. Novas. Ganham espessura. Força. Ela também fica mais forte. Aprende a se defender dos perigos. São muitos. Fantasmas? Antigos. Novos. Existem. Estão todos lá. Marcados na derme. Caminham pela superfície do corpo. A pele ainda em carne viva. Grita. Para nascer nova. De novo. A vida segue. Os dias passam. A pele cresce. Sede. Adapta-se. Não é fácil, se sentir bem na própria pele.

1 comentários:

Devaneios da Lulu disse...

Este texto me faz pensar em Sônia Rangel, especialmente na obra Casa Tempo ... através de poemas-desenhos ela fala, entre outras coisas, do corpo-peixe, corpo imaginário que ultrapassa e supera o corpo real. O corpo-peixe é a saída do sujeito para sobreviver, enquanto o corpo de carne e osso é vivido como um “escafandro”.
Lulu.