
quinta-feira, 3 de dezembro de 2009
terça-feira, 1 de dezembro de 2009
Simplesmente Clarice

Quando li pela primeira vez Clarice Lispector fiquei impressionada com a sua escrita enigmática. Como alguém poderia ter total domínio das palavras e dos sentimentos do mundo? Clarice, todos devem saber, foi classificada como portadora de esquizofrenia, doença psíquica onde o delírio ganha força sobre a lucidez. Bom, devo deixar claro para o leitor que esta foi uma definição minha, portanto, livre de qualquer receituário médico. Uso os termos delírio e lucidez pelo antagonismo ontológico das duas palavras. A questão que se impõe é: como a autora, dotada de uma psique delirante pôde construir uma narrativa onde a lucidez da escrita é imperativa? Ler Clarice é ao mesmo tempo se reconhecer em cada personagem, em cada afeto, em cada sentimento descrito. Afinal, com consciência ou não dos fatos, passamos a vida inteira ajustando o nosso “eu” interior, buscando compreender os nossos propósitos e dando cabo das nossas ansiedades, o que Clarice de fato o fez com louvor, senão na sua vida, o fez na sua escrita. Em seu texto há toda a presença dos seus conflitos emocionais e melancólicos, mas, tal como Lispector imprimiu estes sentimentos no papel nos ajuda a entender melhor os nossos próprios sentimentos e angústias. Em uma entrevista, a autora disse que “se não escrevesse é como se estivesse morta”. A escrita foi o propósito de Lispector, o motivo, a razão, ou seja lá qual palavra dê melhor conta deste significado. A escrita permitiu que esta mulher não ficasse a margem da vida, que seus delírios fossem incorporados de forma criativa. Ela soube adestrar o mostro que habitava seu ser, transformando-o em algo dócil e produtivo para ela e para a humanidade.
Serviço: Clarice - A vida de Clarice Lispector, de Benjamin Moser. Cosac Naify.
quinta-feira, 12 de novembro de 2009
Programa Soteropolis - TVE
Hoje estréia o Novo Soterópolis com o dobro do tempo e mais espaço para a cultura, musica, teatro, cinema e comportamento. Na programação algumas novidades fazem a diferença, entre elas, o quadro de entrevista Devaneios comandado por Lu Accioly que está ótima no papel de uma psicanalista em busca de desvendar o inconsciente criativo dos artistas plásticos baianos. Outra grande estréia são as videoreportagens dirigidas pelos estagiários do programa. Quem abre a rodada é Milena Palácios. Nossa amiga entrevistou o Dj Branco e o universo do Hip Hop. È hoje! 22h.
Reapresentações
Sexta: 18:30h
Domingo: 18h
Reapresentações
Sexta: 18:30h
Domingo: 18h
quarta-feira, 30 de setembro de 2009
sexta-feira, 25 de setembro de 2009
Rock com sotaque MPB
Ronei Jorge subiu ao palco do Teatro da Casa do Comercio, na noite do dia 24 de setembro, mais caetânico do que o próprio Caetano Veloso. Com a sua ginga de roqueiro MPBISTA colocou a platéia no bolso. A banda estava afiadíssima e a participação de mais um guitarrista, o músico Luciano Simas, deu uma pegada rock visceral às poesias dos Ladrões de Bicicleta. Rendida, a platéia dançou junto com Ronei o fricote, suingue criado por Luis Caldas na década de 80, ao cantar Aquela Dança, entoando os cânticos carnavalescos de Tchá Tchá Tchá. O público mergulhou na anarquia.
Frascos, comprimidos e compressas, título do segundo disco da banda, leva a assinatura de Pedro Sá (responsável pela guinada de Caetano Veloso em seus dois últimos discos Cê e Zii e Zie) na produção e é aguardado com ansiedade pela platéia.
Frascos, comprimidos e compressas, título do segundo disco da banda, leva a assinatura de Pedro Sá (responsável pela guinada de Caetano Veloso em seus dois últimos discos Cê e Zii e Zie) na produção e é aguardado com ansiedade pela platéia.
sábado, 19 de setembro de 2009
Carta a uma nova amiga
Recebi o telefonema de Lu me comunicando que havia postado um texto no meu blog. Fiquei curiosa. O que será que Accioly escreveu meu deus? Que medo! Afinal, havíamos passado uma semana de puro devaneio, onde, entre eles, estavam incluídos alguns delírios só possíveis em noites escuras.
Para minha surpresa, a carta não seguia o caminho dos delírios, mas, dos afetos. E eu que sou uma pessoa acostumada a me declarar abertamente às pessoas, fui surpreendida por um texto lindo escrito pela minha amiga Luciana. Confesso que adorei, chegando a ficar sem palavras ao saber que fui eu a responsável pela sua saída da analista. Logo eu, que fui definida pela minha (analista) como alguém nebulosa!!!
Devo dizer que nosso reencontro foi mesmo importante. Da época do São Paulo eu guardava de lembrança somente a sua beleza. Hoje coleciono outras qualidades. Duas delas, eu aprecio com mais atenção. Uma é seu senso de humor. Luciana tem uma graça que se alterna entre acidez e a sutileza e isto me faz rir muito, mesmo quando o assunto é sério. A outra qualidade é a sua capacidade de entrar no estado lunático da existência. O olhar perdido e a demora nas respostas revelam uma capacidade em se afastar da realidade do mundo, que como diz Devarnier é dura. E para isso, ela aciona um botão que a retira, mesmo que por alguns instantes, das coisas que nos sufocam ou das perguntas descabidas. O único problema é que nessas horas eu me sinto um pouco distante, como se a ligação tivesse sido cortada. Digo: Luciana volta para terra! Ela pára, ri e retorna ao seu mundo, volta a habitar o que não pode ser habitado por nós, simples mortais.
Para minha surpresa, a carta não seguia o caminho dos delírios, mas, dos afetos. E eu que sou uma pessoa acostumada a me declarar abertamente às pessoas, fui surpreendida por um texto lindo escrito pela minha amiga Luciana. Confesso que adorei, chegando a ficar sem palavras ao saber que fui eu a responsável pela sua saída da analista. Logo eu, que fui definida pela minha (analista) como alguém nebulosa!!!
Devo dizer que nosso reencontro foi mesmo importante. Da época do São Paulo eu guardava de lembrança somente a sua beleza. Hoje coleciono outras qualidades. Duas delas, eu aprecio com mais atenção. Uma é seu senso de humor. Luciana tem uma graça que se alterna entre acidez e a sutileza e isto me faz rir muito, mesmo quando o assunto é sério. A outra qualidade é a sua capacidade de entrar no estado lunático da existência. O olhar perdido e a demora nas respostas revelam uma capacidade em se afastar da realidade do mundo, que como diz Devarnier é dura. E para isso, ela aciona um botão que a retira, mesmo que por alguns instantes, das coisas que nos sufocam ou das perguntas descabidas. O único problema é que nessas horas eu me sinto um pouco distante, como se a ligação tivesse sido cortada. Digo: Luciana volta para terra! Ela pára, ri e retorna ao seu mundo, volta a habitar o que não pode ser habitado por nós, simples mortais.
quarta-feira, 9 de setembro de 2009

A internet é o lugar do roubo por natureza. Nunca pratiquei com tanta facilidade e engenho este ato. Esta imagem foi retirada do blog da minha amiga Fernanda. É impressionante como ela conhece sites legais sobre fotografia, design etc. Logo que abri dei de cara com esta imagem e como estou doente, com febre e completamente debilitada por uma gripe que, ao que tudo indica não é a suina, não tive nenhum pudor em capturá-la.
Ontem vi uma das cenas mais terriveis quando voltava para casa por conta da febre, um onibus incendiando. Uma fumaça negra tomou o cèu da Federação impedindo a passagem de pessoas e carros. Não sei quem ainda acredita que a Bahia é a terra da felicidade e da alegria.
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